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riscos_e_rabiscos

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* O motivo do meu desgosto e ausência*

Quem me segue há mais tempo aqui o blog, sabe da existência do meu cão Pimentinha.

Faz hoje um mês que o meu Pimentinha partiu. 

 

Tudo começou num domingo (já tremo de medo quando algo menos bom acontece neste dia) em que vejo o meu pequenino a perder as forças nas patinhas de trás. E frações de segundos, revejo o dia da partida do meu Bobi que começou assim e digo ao N. que temos de levar o cão imediatamente ao vet. Mas que vet? Jamais levarei algum animal meu onde levava o Bóbi. Arriscámos num novo.

 

Foi todo observado, fizeram logo RX e diagnosticado um sopro cardíaco assim como uma massa no abdomen que tinha de ser investigada. Fez análises e acusou uma anemia muito grande. Foi logo medicado para tudo e nos dias seguintes melhorou um pouco.

 

Mantive sempre contacto com a clínica e as vets para dar feedback do que se estava a passar mas chegou a uma altura que o Pimentinha quase não comia e a vet - dona da clínica eque ainda não o tinha visto - mandou-me levá-lo lá assim que pudesse porque estava muito preocupada com ele.

 

Observou-o, fez novo RX e quando nos trouxe o meu docinho, disse-nos com voz embargada que ele tinha um tumor no baço e que não havia nada a fazer aão ser medicar para a dor, dar vitaminas e deixá-lo comer tudo o qe tivesse vontade pois o importante era comer. Isto foi numa sexta-feira.

 

O meu Pimentinha foi piorando gradualmente, quase não comia, dar-lhe a medicação era um sacrilégio e quase não tinha força. Na terça-feira, quase não se mexia e eu percebi que tnha chegado o dia da partida. Levei-o ao quintal e nem conseguia fazer as necessidades. Trouxe-o para dentro e começou a vomitar "água". Deitei-o na minha cama junto à minha perna e comecei a fazer-lhe festinhas para o acalmar. entretanto liguei ao N. para vir para Lisboa porque o meu docinho não passava daquele dia. O meu fiel amigo faleceu enquanto eu estava ao telefone.

O meu bichinho sofreu tanto e nunca se queixou.

 

Liguei para a clínica que foram super humanos e me vieram buscar o meu menino tão amado para fazerem a cremação. Não há nada que pague isto, esta humanização. 

 

nestas alturas tenho sempre grande força mas quando é possível e permitido, desabo. Fui com o meu N. para baixo, precisávamos de nos apoiar neste momento de tanto desgosto. Foi muito duro. E o destino é tão irónico que os meus dois bichinhos tão amados morreram quase que morriam no mesmo dia com a diferença de um ano.

 

Os meus bichinhos são os filhos que eu não posso ter e amo-os incondicionalmente. Quem tem animais, compreende-me.

 

Pimentinha, meu docinho, meu fiel escudeiro, estás sempre no meu coração. A doninha ma-te para sempre!

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* Tributo ao meu Bóbi.*

Faz hoje um ano que passei um dos dias mais horríveis da minha vida. Era domingo, o meu N. tinha ido embora e eu estava na casa nova da minha mãe a arrumar coisas.

 

O meu adorado Bóbi andou bem todo o dia, brincou comigo, correu e não manifestou nada de anormal. Ao fim da tarde, Começou a beber muita água, demasiada água. O que comia, vomitava, só queria mesmo água. Como ele sempre teve problemas de estomago, dei-lhe um medicamento de proteção do estomago que o vet receitou. Mas os vómitos continuaram. E começou a perder a força nas patas traseiras.

 

O meu docinho tinha de ir ao vet urgentemente mas era domingo, só podia ser uma urgência e não tinha ninguém com carro que mo pudesse levar. O meu irmão que tinha regressado de fora de Lisboa, finalmente, levou o meu Bóbi ao vet. Este não lhe detetou nada de especial, apenas lhe deu um protetor gástrico injectável. Tentou (espicaçou-o todo para) tirar sangue para fazer umas análises e ver como estava a urina já que ele tinha cálculos na bexiga,mas aquilo não correu nada bem. Jamais me esquecerei dos olhos do meu docinho que agora entendi como sendo um pedido de socorro.

 

Depois de consultado só estava bem deitado no chão, não tinha força e o vet dizia que era da medicação. Levámo-lo para o carro, viémos para casa e o meu adorado Bobi, quis deitar-se na cama dos meus pais. Dirigi-me à sala e oiço a minha mãe chamar-me a mim e ao meu irmão, ao mesmo tempo que ouvi o cão lançar dois urros, e dizer que o Bóbi estava morto.

 

Corri, tentei pegar no cão que se antes pesava 34 quilos agora pesava o dobro para o levar de novo ao vet na esperança de conseguir reanimá-lo mas não conseguia, não tinha força. Desesperei, arranjei forças não sei onde, passámos sinais vermelhos, conduzimos em contramão e chegámos ao vet.

 

Não foi possível fazer nada. Já estava a arrefecer. Deixei-lo lá para cremação junto com o meu coração. Fique arrasada, destroçada e entrei em depressão. Nessa noite não consegui parar de andar de um lado para outro pela casa toda, não consegui dormir embora tivesse tomado três xanax.

 

Acredito piamente que foi negligência. O choque foi tão grande, tão acutilante e brutal que nem sequer consegui falar sobre isto aqui no blog.

 

Por ironia do destino, para ir para a escola onde dei aulas este ano, tinha de passar duas vezes à porta do vet e reviver aquela noite fatídica. Foi duro, muito duro!

 

O meu grandão muito amado! A "mana" ama-te muito e estás sempre no meu coração, meu docinho!

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Dia triste.

Mesmo quando se espere, nunca se está à espera. Deseja-se sempre que seja o mai tarde possível. Mas foi hoje: o meu tio-padrinho partiu. :(
Apesar da idade, não tinha grandes doenças até ser apanhado por um maldito cancro que lhe levou a melhor.
Tive pena que não estivesse mais próximo para que os sobrinhos e os irmãos pudessem fazer mais por ele pois era viúvo e não tinha filhos. 
O único consolo é pensar que já descansou. Paz à sua alma. :(

De um momento para o outro somos nada.

Tinha planeado dedicar-me ao trabalho de manhã. Queria  planificar umas aulas e depois terminar mais umas peças que estavam em stand-by. Toca o telefone às 10 horas: era a minha tia de Santarém.

 

Os cumprimentos do costume, as perguntas da praxe para saber como está a família e a minha tia diz-me com voz tremelicante que tinha sido operada à vista e que tinha ficado sem ver nada mas que o razão do telefonema era outra, e pior: tinha morrido o marido de uma das minhas primas.

 

Fiquei sem palavras. Um homem novo e de forma súbita. Tinha ido tratar de umas coisas a um terreno e não tinha ido almoçar a casa e nem dado qualquer sinal de vida. Preocupada, a minha prima pegou no filho mais novo e foi ver o que se passava. O miúdo foi o primeiro a avistar o pai deitado no chão e quando lá chegou viu que estava morto.

 

O miúdo ficou em choque, como é claro. Está toda a família em choque. Um homem novo, boa pessoa, trabalhador e amigo. Deixa um filho pequeno, uma filha que entrou agora para a faculdade e uma mulher a precisar também muito dele.

 

Há tanta gente que não vale nada e que a morte não os leva...

 

De repente somos nada!

Até um dia destes Angélico.

Já partiste e talvez tenha sido melhor assim. As sequelas teriam sido terríveis e não sei se serias capaz de viver e conviver com elas. Partiste tão jovem como tantos outros mitos célebres da Sétima Arte. "Live fast, die young" era o lema de James Dean cuja morte, ironicamente, se pode comparar à tua:ambos belos, jovens, talentosos e no auge das suas carreiras.

 

Comparo-te ao meu irmão devido à proximidade de idades. Com tanto pela frente para viver, com tanto ainda para ver e aprender, para conhecer muitas felicidades, para amares e seres amado. Não imagino a dor da tua namorada ou da tua mãe. A sensação de perda e de vazio da tua presença deve ser lancinante. Mas não desanimes com isto - vais viver para sempre na memória colectiva de todos nós e no coração daqueles que te amam e que tu amas.

 

Ficará para sempre a pairar a dúvida: e se tivesses colocado o cinto de segurança? Seria diferente? Eu acredito que todos nós temos a nossa hora marcada, que o nosso bilhete da partida anda connosco para todo o lado. Lamento teres sido mais uma vítima de morte estúpida na estrada. Sei o que é rebentar-se um pneu em andamento e sei que é muito difícil conseguir-se controlar um carros, ainda mais se formos a alta velocidade. Aquele dia não era o meu dia da partida.

 

Foste um anjo que desceste à Terra mas que Deus chamou para voltares para seu lado, para que a tua luz e energia positiva ilumine a Humanidade e a dotes de mais um pouco de esperança.

 

Até um dia destes, Angélico. Um beijo!

O Violador De Animais

 

Malditos ares condicionados dos autocarros! Estão todos sujos e depois mandam para dentro dos autocarros todas as espécies animalescas que provocam alergias. E eu, que sou uma esponja destes seres energúmenos, fico logo aflita. Hoje é só espirranço mesmo com medicação. Um dia ainda hei-de ser dona de uma fábrica de lenços de papel!

 

Continuando, para ver se me aliviava mais um pouco a #&$%@€ da alergia, fui até ao café beber um e espreitar a papelaria. Quando regressei a casa, a TV estava ligada e eu apanho uma notícia já pelo meio mas que é no mínimo surreal! Eu nem queria acreditar no que estava a ouvir...

 

Um fulano, de Proença-a-velha, violava, pelos vistos, todos os animais que avistasse. Segundo o testemunho dos donos dos animais, ele violou ovelhas, burros, cabras e galinhas. Violava e violentava. Deixava os animais muito mal tratados ou até mortos. Inclusivamente até roubou mais de cento e tal galinhas a um dos vizinhos. Seria para as comer? Concerteza que com a boca não.

 

O resultado final deste comportamento descontrolado que este homem manifestava, foi a sua morte com uma facada no peito. Quem foi? Porque foi? É essa a investigação a que a PJ desencadeou.

 

A notícia está aqui.

Anunciem Aos Ventos: Morreu Saramago

 

 

"(...) se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar."

 

 Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

 

Até Mais!

Ultimamente tenho tido conhecimento de imensas mortes aqui em redor. Da minha tia que tanto gostava, de pessoas conhecidas e de outras mais desconhecidas. Algumas dessas mortes têm-me perturbado de alguma maneira.

 

Um dia destes fui almoçar com o meu pessoal ao restaurante de um amigo do meu pai. Aí encontrei um homem que, mesmo rebuscando no baú das minhas memórias, não me lembrava dele. Talvez porque era muito miúda, talvez porque nunca o vi com olhos de ver. Mas ele conhecia-me bem.

 

Começámos a buscar palavras que nos levaram a outros tempo, a reviver momentos, a recordar histórias. Minhas, do meu irmão, do meu pai, do meu saudoso Tio Frade… E eu era a menina. A que ia ter com o pai quando vinha da escola. Aquela que o pai levava para a escola.

 

No sábado passado o R. – o homem - foi encontrado morto em casa. Fiquei muito sensibilizada com esta partida da vida. Tive pena. O R. perdeu-se nalguns caminhos da vida e, talvez por isso, o destino levou a melhor. O meu pai, algures na vida, deu-lhe a mão, assim como outros amigos. Mas é pena ver que, quando a barca de Caronte chega para nos transportar, não temos família na margem para nos dizer adeus, não temos família para nos lançar flores à água. Valem então os amigos, a nossa família do coração que escolhemos a dedo.

 

Até um dia R., e quando encontrares o tio Frade, manda-lhe um beijo aqui da “menina”.

 

 

Se Eu Morrer de Manhã...

 

Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.

Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.

Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
- o único que sei.

Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.

Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.

Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei.

 

Rosa Lobato Faria

 

 

Rosa Lobato Faria partiu.Desejo que se encontre em paz. Esta é a minha singela homenagem que lhe faço. E já agora, quem nunca a leu, experimente e deixe-se encantar...